quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fried Green tomatoes (Tomates verdes fritos)




Quem é que nunca quis degustar essa iguaria? Como retratado no filme, o tomate verde frito é uma preparação do sul dos EUA, mas também feito ao norte. Atendendo a pedidos, fiz uma resenha sobre o filme e encontrei a dita cuja da receita. Eitah vida de gastrônomo!

Lançado nos EUA, em 27 de Dezembro de 1991, o filme deriva do livro de Fannie Flagg. Nominado com dois Oscars, também recebeu outros 6 prêmios e 6 nominações.

O feminismo foi um dos temas da história, manifesto através do bordão ‘Towanda’, muito usado pelas mulheres dos anos 90. Outro tema muito recorrente, o lesbianismo, ficava nítido através da relação de Idgie e Ruth muito bem aceita pela cidade e no café. Embora muitos críticos discordem dessa visão, o filme recebeu prêmio pela Aliança gay e lésbica contra a difamação (GLAAD). Outros temas são o envelhecimento e a comida. As receitas do filme estão no final do livro.

O WhistleStop é baseado no Café Irondale em Irondale, Alabama e que funcionou entre 1915 e 1935. Ainda em operação e graças ao filme, o restaurante tem como carro chefe os tomates verdes fritos, cuja  receita vocês conferem após a história do filme.

Tomates Verdes Fritos tem início no ano de 1985, quando a dona de casa Evelyn Couch (Kathy Bates) precisa visitar sua sogra numa enfermaria do estado do Alabama. Procurando evitá-la, Evelyn acaba conhecendo outra paciente, Ninny Threadgoode (Jessica Tandy). Assim que, de forma muito simples, o espectador é surpreendido através de 2 histórias justapostas que, aos poucos, vão uma se costurando à outra: de um lado, somos convidados junto de Evelyn a ouvir a história de vida da senhora Threadgood e o WhistleStop Café; do outro, embarcamos também no dia e dia de Evelyn, suas frustrações e a evolução de sua personagem na trama por conta da experiência que adquire com a idosa.









Uma das cenas mais hilárias. Aqui em São Paulo falta um pouco de Towanda






Adotada desde pequena pela família Threadgoode, Ninny se casa com um dos irmãos. Seu primeiro amor, no entanto, foi Buddy Threadgoode (Chris O'Donnell) cuja irmã mais nova se chamava Idgie. Num dia fatídico, ao brincar com a linha do trem, Buddy acaba ficando preso e morre. Idgie (Mary Stuart Masterson) que o tinha como maior exemplo, com quem havia aprendido todo o charme e forma de lidar com a vida, fica devastada. O quadro só se reverte quando à casa Threadgoode chega um novo familiar, Ruth Jamison (Mary-Louise Parker), que tinha vindo à cidade para dar aulas sobre a bíblia.


Enquanto Idgie é travessa e masculinizada, lida com homens e cartas como ninguém, Ruth é o perfeito retrato da mulher do inicio do século XX, presa aos ditames da sociedade e formatada para constituir família. Não é para menos, como percebem a família e os empregados nitidamente, Idgie passa a manifestar uma incrível afeição por Ruth. Nesse exato momento, a trama é novamente desviada do trivial e Ruth deve partir, já que prometida ao marido na Georgia. Antes deprimida, Idgie agora se entrega a uma paixão platônica, passando a beber e viver nos bosques.


Ao criar coragem para visitar Ruth na Georgia, Idgie nos mostra a outra face de uma sociedade hipócrita através dos abusos que Ruth sofre pelo marido alcoolatra Frank Bennet (Grayson Fricke). A vida das personagens tem uma reviravolta quando morre e mãe de Ruth e, agora desamparada, ela envia uma página da bíblia a Idgie, onde se lê: “O seu povo é o meu povo e o seu Deus o meu Deus, aonde você for, eu também irei”. Em resposta, Idgie retorna à casa Bennet com seu imão Julian e Big George, filho da cozinheira Sipsey (Cicely Tyson) para resgatar Ruth, agora grávida.

É com o dinheiro do pai que Idgie decide tocar o WhistleStop Café, sustento não só de Ruth e seu filho, mas também de Sipsey, Onzell e Big George que irão se casar. Adquirindo fama pelo churrasco de Big George, o WhistleStop foi parada obrigatória durante a depressão de 1929. Espécie de casa aos desafortunados, o café também foi alvo de discórdias e do Ku Klux Klan, pela recepção dos negros e preços mais baixos a eles. Repentinamente, o marido de Ruth desaparece e aí que a trama ganha ainda mais tensão, com a presença constante de policiais e interrogatórios.


Nesse ponto, a protagonista onisciente Evelyn decide dar novo rumo à sua vida, quando emagrece, se impõe ao marido e desafia todos que fiquem em seu caminho. Sob o alter-ego Towanda, ela decide trabalhar com a "Cosméticos Mary Kay" e tomar hormônios para a menopausa. É incrível perceber que temas tão radicais aos anos 80 eram sugeridos pela senhora Threadgoode.


Com o passar da Segunda Guerra, as personagens entram os anos 50 com outras 2 fatalidades: o filho de Ruth perde o braço para o trem e sua mãe acaba morrendo de câncer. Logo depois, quando o carro de Frank Bennet é encontrado no lago à frente do WhistleStop, Idgie e Big George são detidos pela polícia. Durante o julgamento, em agradecimento a Idgie por ter tirado o filho da cadeia, o padre local defende os acusados, dizendo que estavam num festival de 3 dias e não estariam envolvidos.


É só no final que a trama se costura, quando Sipsey tenta proteger o filho de Ruth contra o seqüestro pelo pai e o ataca com uma panela. Como sugere o diálogo das personagem, Big George fez churrasco de Bennet enquanto que sua cabeça, Sipsey a enterra no jardim Threadgoode em resposta às superstições locais.


No livro, o final é diferente... Evelyn recebe uma ligação sobre o falecimento da senhora Threadgoode. Ao visitar a lápide de Ruth, ela encontra um recado lá colocado momentos antes. No epílogo é revelado que Idgie ainda está viva e agora vende mel numa loja local.

Na receita, os tomates são cortados na espessura de 0,5 cm, imersos em buttermilk e empanados com fubá, migalhas de pão ou farinha. Então, são fritos em óleo quente ou gordura por cerca de 3 minutos em cada lado até que as extremidades fiquem douradas. Da mesma forma, podemos passá-los em ovos batidos antes da farinha, sempre adicionando sal e pimenta.


É ideal jogar a gordura sobre o tomate com uso da escumadeira; assim, cria-se uma película crocate sobre o tomate, o que impede que a farinha se disperse na gordura. Pode-se usar também a gordura resultante da fritura do bacon no café da manhã.







Tomates Verdes Fritos


Ingredientes

Tomates verdes - 3 a 4 unidades
Farinha de trigo (1 1/2 xíc.)
Fubá (1/2 xíc.)
Leite - Q.B.
Sal e pimenta preta moída - Q.B.
Óleo vegetal - Q.B.


Modo de fazer

1 - Misture a farinha, o fubá, o sal e pimenta

2 - Adicione leite suficiente até criar uma massa densa e espessa

3 - Aqueça o óleo e lembre-se que está é uma fritura sob imersão. Então, no mínimo uns 2cm de óleo

4 - Empane os tomates e respingue o excesso

5 - Se faltou sal, acrescente mais um pouco agora



Espero que gostem. Abração!

3 comentários:

Nádia Lamas

Muito legal a matéria sobre o filme e sobre a receita - que, infelizmente, nunca provei! Estive há dois meses no sul dos EUA e fiquei absolutamente fascinada - pela região, pela identidade própria e pela culinária. Ótimo 2010, muitas delícias, abs

Marcel Dias Pitelli

Oi, Nádia! Obrigado por sua participação! Ninguém melhor do que você para saber...você esteve lá...A receita é legal, né? Resta agora encontrar as variações...porque vi muitas delas pelo nosso amigo google.


Bjos!

Priscila

Ai que legal! Eu gosto tanto deste filme. Passa já sei a estoria inteira e assisto de novo.

Vc fez tomates verdes fritos?
Aquela sua torta de semolina, puxa é uma receita que eu não conhecia. Parabéns.

Beijao feliz ano novo Pri

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